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segunda-feira, agosto 01, 2016

Mais cobiçadas no Enem, as universidades gratuitas podem mudar a vida dos alunos

O maior desejo dos jovens que agora se preparam para o vestibular do Enem é conseguir vaga em universidade pública e gratuita. Para muitos, essa é a única opção de subir alguns degraus na escala social, mesmo saindo de famílias bastante pobres. Realizar esse sonho não é nada fácil, já que, de acordo com dados do Inep, o número de vagas ofertadas pelas instituições públicas é três vezes menor que as disponíveis nas universidades privadas. Apesar disso, basta ver a mudança na vida de algumas pessoas que superaram as dificuldades sociais e alcançaram o diploma para entender que a concorrência vale a pena.
Vinícius Araújo, nascido em família humilde de São Gonçalo, se formou em Medicina pela Uerj
Foto: Maíra Coelho / Agência O Dia
De família humilde de São Gonçalo, Vinícius Araújo, de 30 anos, se formou em Medicina pela Uerj no final de 2014. Ele sempre estudou em escolas públicas e, se fosse para pagar o curso, jamais teria se tornado o médico que é hoje. “Eu não tinha condições. Minha mãe é dona de casa e meu pai, relojoeiro”, conta. Ao fazer o vestibular, Vinícius sentiu dificuldade por nem conhecer muitas matérias cobradas em Biologia e Química, por exemplo. “O ensino básico público deveria ser reformulado e todo mundo deveria ter acesso à educação completa gratuita.”
Também aluna de escolas públicas, a advogada Daiana Bastos, 34, se orgulha de ter conseguido se formar em Direito na UFF. Para ela, os rumores sobre privatização das universidades públicas ignoram os mais pobres que estão se matando de estudar para ocupar esses espaços, como foi seu caso.
Para compensar as deficiências das escolas públicas pelas quais passou, estudou sozinha, com livros do Ensino Fundamental. Entrou na faculdade, passou na OAB. “Hoje tenho um bom emprego, estou fazendo a segunda pós-graduação e pretendo nunca mais parar de estudar”, garante.
Os jovens de baixa renda têm nas cotas uma ferramenta para conseguir entrar nas universidades federais e estaduais. Coordenador da ONG Educafro no Rio, Leizer Pereira diz que as ações afirmativas tornaram mais diverso o ambiente do Ensino Superior. Ele teme uma suposta privatização das instituições. “Por muito tempo houve um monopólio das universidades públicas por parte das classes mais altas e elas se acostumaram mal com isso”, acredita Pereira. 
Pereira, da Educafro, ajuda alunos a conseguir cotas nas universidades
Foto: Daniel Castelo Branco
Acadêmicos contra fim da gratuidade
O professor associado da Uerj/Faculdade de Educação da Baixada Fluminense Henrique Sobreira argumenta contra a ideia do fim da gratuidade, que voltou a ser discutida no meio político. “Se cobrar mensalidade resolvesse o problema, não teríamos visto a falência de tantas universidades privadas no Brasil”, destaca. “No exterior, o financiamento vem de contribuições de ex-alunos, fundações e patentes de produtos intelectuais.”
Para Renato Ferreira, mestre em Políticas Públicas pela Uerj, as universidades têm que ser públicas, gratuitas e manter a qualidade. Em meio à crise, porém, admite a cobrança de mensalidade daqueles com boas condições financeiras.
“Universidades públicas devem ser mantidas com recursos do governo, mas parece justo cobrar de quem pode pagar”, defende. “É essa solidariedade que a elite brasileira não tem, e é comum de se encontrar em outros países”, explicou. 
Professor defende melhoria na rede básica
André Tinoco, de 34 anos, veio de família em que a mãe trabalhou em casas de família e o pai era porteiro. Estudou na Oficina do Saber da UFF e se formou em Geografia pela Uerj. Hoje, é professor voluntário na primeira e concursado na segunda.
O reforço do curso foi fundamental para seu ingresso na graduação, por causa da fragilidade na rede básica do ensino público. “A educação para os grupos de renda baixa é sucateada. Os que estudam em colégios para classe média alta têm muito mais chances de ingressar no Ensino Superior”, lamenta.
Tinoco defende a melhoria da educação básica da rede pública e a criação de mais mecanismos de acesso às universidades. Os crescentes rumores sobre o fim da gratuidade o preocupam. “Só vai piorar a qualidade do ensino e diminuir ainda mais o ingresso dos estudantes de baixa renda”, acredita.http://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2016-07-31/mais-cobicadas-no-enem-as-universidades-gratuitas-podem-mudar-a-vida-dos-alunos.html